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VortexCast · Episódio #04

IA no tribunal: segurança e confiança no futuro da Justiça

Como o Poder Judiciário está adotando a inteligência artificial, quais riscos cibernéticos vêm com ela e o que é preciso para construir um ambiente digital confiável nas instituições de justiça.

Sobre o episódio

O episódio discute como o Judiciário brasileiro passou a usar inteligência artificial e o que isso exige de segurança. Na mesa, dois profissionais de segurança da informação de tribunais, um estadual e um federal, e o responsável pelas contas de governo da Vortex. Na conversa, a IA aparece como resposta a uma dor antiga: o volume de processos para poucos magistrados e servidores. Também se discute se a maior barreira é humana, já que há quem confie cegamente no que a IA entrega e não revise o resultado.

Os participantes tratam da soberania dos dados, em que a cláusula que exige dados no Brasil é uma garantia de papel; da responsabilidade pela decisão judicial, que segue com o magistrado; e do shadow AI, com a diferença entre ter uma política e conseguir garantir que ela seja cumprida. Discutem ainda como inovar sem que a governança vire bloqueio: análise de risco levada aos comitês e governança como o volante de um carro que a IA acelerou.

Na parte final, o episódio trata de prompt injection em petições e de envenenamento de dados, do SOC do futuro, que usa IA para filtrar e dar contexto a um volume de eventos que nenhuma equipe analisa sozinha, e da maior ameaça ao Judiciário nos próximos cinco anos. Para os participantes, é a perda de confiança, resultado de todos os outros riscos, com o ransomware citado como um dos ataques mais devastadores.

Pontos principais

  1. A IA no Judiciário é hype e necessidade ao mesmo tempo

    O processo eletrônico trouxe velocidade, mas não dá conta do volume. Na conversa, a IA assume o trabalho repetitivo, como a análise de documentos, e deixa a parte mais inteligente com as pessoas.

    “…é um hype, mas assim é uma necessidade até porque não tem número de servidores para dar conta de tanto processo.”

    Ouça este trecho em 10:44 (abre o YouTube em nova aba)
  2. Sem conhecer o assunto, não há curadoria

    A barreira aparece mais humana do que técnica: a falsa percepção de que tudo é fácil leva a uma fé cega na IA, sem revisão. Quem pede à IA algo que não sabe fazer não consegue avaliar a resposta.

    “Se você pede para a IA fazer algo que você não sabe fazer, você não é capaz de criticar o resultado, de analisar a resposta.”

    Ouça este trecho em 20:39 (abre o YouTube em nova aba)
  3. Cláusula de dados no Brasil é garantia de papel

    Os contratos exigem dados em território nacional e atendimento à LGPD, mas o papel não comprova onde o dado está. Com IA, a questão vai além do armazenamento: inclui por onde o dado transita a cada consulta.

    “Então lá na contratação você coloca cláusulas contratuais, cláusulas de privacidade, onde que o dado tá armazenado, mas vamos ser muito prático aqui, é uma garantia de papel.”

    Ouça este trecho em 27:01 (abre o YouTube em nova aba)
  4. A decisão final continua humana

    Com ou sem IA, quem assina a decisão segue responsável por ela. O viés já existia antes e a IA o escala; o contraditório ajuda, porque a outra parte pode contestar. A qualidade do dado também pesa: entra lixo, sai lixo.

    “A conclusão tem que ser humana. A gente pode ter a descoberta de dados, pode ter a catalogação de dados através da IA, mas a análise e conclusão precisa ser humana.”

    Ouça este trecho em 43:02 (abre o YouTube em nova aba)
  5. Não se protege o que não se conhece

    Um levantamento citado na conversa encontrou muito mais ferramentas de IA em uso do que se imaginava: é o shadow AI. Ter política não basta; sem enforcement, a regra vira orientação que depende da boa-fé do usuário.

    “Quando a gente fala conceitualmente de segurança, a gente não consegue proteger aquilo que a gente não conhece.”

    Ouça este trecho em 50:33 (abre o YouTube em nova aba)
  6. Prompt injection: a IA é o problema e a solução

    Foram citados casos públicos de petições com comandos escondidos em fonte branca para influenciar a IA do tribunal, e o envenenamento de dados aparece como o próximo risco. Os casos recentes foram detectados pela própria IA do tribunal.

    “A IA é o problema, mas a IA é a solução e isso para várias coisas.”

    Ouça este trecho em 1:04:48 (abre o YouTube em nova aba)
  7. No SOC, a IA dá contexto; quem decide é a pessoa

    Nenhuma equipe analisa sozinha o volume de eventos que chega ao SOC. A IA filtra, correlaciona e automatiza respostas por playbook, mas a decisão pede profissionais qualificados, com noção de ciência de dados, e uma visão convergente das camadas.

    “A gente, por exemplo, usa IA no nosso processo de mitigação de detecção e resposta, mas muito mais numa esteira de enriquecimento de contexto, de poder de correlacionar isso em múltiplas camadas, do que de fato para tomar a decisão final.”

    Ouça este trecho em 1:13:50 (abre o YouTube em nova aba)

Para ir além

Transcrição completa

Transcrição da legenda automática do YouTube, revisada pela Vortex para corrigir nomes, siglas e termos técnicos. Ela não identifica quem fala. As marcações de som e as hesitações (“eh”) foram retiradas, sem mudar as palavras; os trechos marcados com [?] não puderam ser confirmados pelo áudio. O minuto de cada trecho leva ao vídeo naquele ponto.

Ler a transcrição completa (15.275 palavras)

0:00 Então eu vejo aí, ah, nesse sentido, ela é uma excelente ferramenta de suporte, tem que ser utilizada, mas utilizada com cautela. É que eu falo, a segurança da informação não mudou com a IA [?]. Você precisa manter a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade da mesma forma. O que vai mudar são como você vai fazer isso dentro de um contexto de IA. Fala pessoal, tudo bem? Victor tá aqui. Vamos dar início a mais um VortexCast muito interessante. Vamos discutir aqui alguns assuntos que são bem relevantes aí, contemporâneos, estão sendo discutidos no mercado. Falando sobre inteligência artificial e a gente vai trazer um pouquinho da visão aí da inteligência artificial voltada ao setor jurídico brasileiro nos tribunais e algumas órgãos e alguns órgãos governamentais. Então vai ser bacana esse bate-papo, vai ser muito interessante. Antes da gente começar, eu já queria convidá-los como praxe de vocês seguirem a gente no LinkedIn, se

1:01 conectarem com a gente no nosso canal do YouTube para não ficarem de fora de nenhuma edição e de nenhum episódio que a gente venha lançar, tá pessoal? Então, por favor, não façam o marketing brigar comigo, sigam a gente nas redes para que às vezes não fiquem de fora. Aí a gente tá com um time de peso aqui bem interessante, bem legal para falar sobre esse assunto, como eu brinquei com o pessoal aqui antes de começar, com notório saber sobre o tema e a gente vai aqui bater esse papo e interagir. Eu queria que vocês se apresentassem. Tô aqui com o Lucas. Lucas, por favor, se apresenta. Bom, pessoal, boa tarde, bom dia, boa noite para quem tiver nos assistindo. Meu nome é Lucas, eu sou responsável pelas contas de governo dentro da Vortex, tenho mais ou menos 10 anos de de experiência no setor e aprender aqui um pouco mais com essas grandes mentes. É isso. É, tem que estar na mesa também aqui com o Edivaldo, Eduardo. Por favor, sem briga. Quem quiser começar pode se se apresentar aí,

2:02 Edivaldo. Fica à vontade. Obrigado. Valeu, Victor. Obrigado pelo convite. Obrigado. Prazer nosso. Vamos lá. Edivaldo Sartor. Eu sou estou, né, coordenador de segurança no TJ de São Paulo há um pouquinho mais de 10 anos para não entregar a idade. E tem alguns bonés paralelos aí. a gente, eu, eu coordeno o gabinete do encarregado de proteção de dados no TJ também e sou professor universitário na área de tecnologia há alguns aninhos também para não entregar idade. Boa, boa. Boa tarde, pessoal. Bom dia para quem tiver nos assistindo. Eu sou o Eduardo. Eu estou também como diretor da equipe de tratamento e resposta a incidentes do da Terceira Região, do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. Tô aqui para contribuir um pouquinho com o bate-papo, passar um pouquinho do nosso conhecimento aqui. Tô à disposição aí para para poder dar esclarecer o que é pertinente aí, pro Victor disse do notório saber. Adorei, adorei o notório. Então data vênia, iniciada a

3:02 sessão, né? Porque a gente tá falando aqui, tem que usar, né? Gustavo, você tá assistindo a gente aí. Foi em sua homenagem essa essa introdução. Vamos bater um papo aqui, pessoal, antes de começar. Acho que vai ser bacana trazer a experiência de vocês aí de como é que vocês estão vendo o desafio do uso de IA, principalmente no segmento, né, que é o judiciário. E aí devem ter poucos desafios, né, poucas coisas a compartilhar, para não dizer o contrário. É interessante a gente compartilhar isso com o nosso público. Como provocação, vou começar aqui contando uma historinha, pra gente poder expandir essas essas essa reflexão. Nós somos, imaginem vocês que estão em casa, tá? um processo judicial com milhares e milhares de páginas. Você tem uma IA que faz resumo, outra sugere jurisprudência e uma terceira te ajuda a priorizar. Tudo aparentemente funcionando perfeitamente. Eis que surge lá o Edivaldo, o Eduardo, e pergunta: "Será que alguém consegue influenciar

4:01 aquilo que a a IA tá enxergando? Quem percebe isso? Quem responde? Quem é o responsável? principalmente como garantir que a justiça continue sendo justa quando passa a depender cada vez mais de sistemas inteligentes." Data essa dada essa pequena provocação, eu inicio o nosso bloco aqui e aí fiquem à vontade para quem quiser responder primeiro, Lucas também para interagir. Acho que é um bate-papo, como eu falei, fazendo a seguinte pergunta: o judiciário brasileiro, historicamente falando, tem é frequentemente visto como um uma instituição, um órgão que é lento quando a gente fala na adoção de tecnologia, né? Eu começo a minha história falando de milhares e milhares de páginas da lentidão, de processos, esse tipo de coisa. E quando a gente fala do uso específico de inteligência artificial, é um contraditório, é algo contrário, né? O poder judiciário, né? O

5:00 judiciário brasileiro, na verdade, ele tem sido pioneiro, desbravador e tem sido relevante nesse tema. Como é que isso aconteceu nas instituições que vocês representam? Como é que vocês viram isso acontecer na prática? Ah, foi uma decisão de alguém que precisamos adotar o hype de mercado? Vocês identificaram de fato uma necessidade, uma dor de mercado que vocês precisavam endereçar? Como é que vocês viram isso acontecer no dia a dia de vocês, então assim, a consolidação dos processos eletrônico, investimento, infraestrutura forçaram isso a acontecer e também, né, a necessidade de aumentar a eficiência, né, e reduzir a morosidade, como você acabou de dizer. Então, assim, isso ajudou muito a ampliar, né, e isso também ajudou a alavancar também os investimentos. E a ideia é que o judiciário precisava ser mais eficiente, também alavancou também a adoção de novas tecnologias.

6:03 Então assim, o que eu eu vejo um conjunto de o processo eletrônico consolidado, né, já tem alguns anos que já existe o processo digital, isso ajudou muito e também essa parte de reduzir a morosidade. Então assim, é muito importante, então a para melhorar a eficiência, então buscou-se melhor nas novas tecnologias, né, implementar novas tecnologias para poder alavancar e melhorar, né, o serviço prestado aos jurisdicionados, né, que é o público externo em geral, né? Na prática, que você tá me dizendo é o seguinte, a existe historicamente uma dor que o judiciário sempre tentou endereçar a hora, trazendo ali os processos eletrônicos, ou seja, já uma migração ali do tradicional pro eletrônico, já foi uma grande melhoria. Eu lembro que a época que isso aconteceu, eu como, usuário, né, como cidadão do outro lado, fiquei muito feliz porque notoriamente trouxe velocidade aos processos, mas ainda assim uma velocidade que não dá conta do volume.

7:03 Então, eu entendo na tua fala que o uso de IA ou a busca de IA e aí por isso o judiciário ser tão pioneiro nesse sentido, é porque talvez é uma para endereçar uma das dores, historicamente falando, maiores que a gente tem no judiciário hoje, que é o volume e essa lentidão, né? O congestionamento. Você tem poucos magistrados, poucos juízos para dar conta de tantos processos, né? né? E aí você precisa obrigatoriamente no meio do caminho buscar meios para que isso seja mais rápido ou mais eficiente. Então e minha leitura tá correta, né? E para endereçar essa essa dor, né? Essa é é uma dor antiga, né? E que eu eu acredito com a IA, né? ela veio apoiar nesse sentido de melhorar e também deixar de fazer, por exemplo, para IA, hoje ela faz os processos mais manuais, essa parte de análise de

7:57 documentação. Então isso ajuda muito, né, e e o deixar a a parte mais inteligente com o ser humano, né? Então essa parte mais braçal, a IA tá fazendo hoje nas instituições, repetitivo, né? E aí, se você me permite uma observação rápida, falando sobre o tamanho do dos órgãos, né? A gente claramente sabe que o TJ de São Paulo é o maior do do Brasil e, se eu não me engano, um dos maiores, se não maior da América Latina também. É, depende. Vou falar de números, depois a gente complementa. Falando de volume de processo, porque aí se a gente pegar a o direito ao redor do mundo, é um pouco diferente a forma de trabalhar, mas em volume de processo é o melhor do mundo. Maior, é maior, desculpa, maior do mundo. Melhor também, pô. Ah, o que é, eu trabalho lá, é o melhor. A gente tá falando hoje de, no caso de São Paulo, aproximadamente 1/3 do volume dos processos estaduais.

8:54 Então, a gente tá falando de aproximadamente 20 milhões de processos em andamento no TJ de São Paulo. Em andamento. Em andamento, tá? Fora obviamente o que já foi arquivado, que já tá, né, em andamento. Pouca coisa, né? Pouca coisa. Nem nem precisa de Ah, não precisa de nada. Eu vou tentar fazer uma conta aqui rápida de quantos julgamentos normalmente se acontecem acontecem no mês para saber em quanto tempo a gente vai matar esse... É uma outra conta que você pode fazer, a média de páginas por por processo tá em torno de 70, 80 páginas. Acho que é um número do CNJ. Então você pode fazer aí, não não vou arriscar fazer de cabeça. Vezes 20 milhões processado. Vezes 20 milhões, 1.4 bi. Se eu fiz a conta certa aqui. Então a gente tem isso é culpa sua, advogado, tá? que faz uma petição de 80 páginas, não tem necessidade disso. É, lembrando que 80 é um é um número médio, tem processos extremamente maiores do que do que esse.

9:51 Então, a gente tem aí, já que a gente tá falando do do hype da IA, a gente tem um pon [?] só no TJ de São Paulo, 1.4 bilhão, né? Você falou isso de de páginas para para serem tratadas por IA. Três estagiários dava conta. Tranquilo, dava conta. Dava conta. Bem fácil. E aí, e já encaixa na pergunta que você fez, né? Você falou, é, é hype ou é necessidade? Eu acho que ficou claro aqui que são ambos, né? Exato. Tem o hype, né? Tem essa coisa da IA de resolver problema, de facilitar. E eu concordo. Mas acho que o grande principal a principal motivação são esses números que a gente tá falando aqui. Como que a gente, São Paulo e qualquer outro, como que a gente dá conta de ler, genericamente falando aqui, 1.4 bilhão de páginas para tomar uma decisão em cima? Nosso maior estudioso da sala aqui, quanto tempo você leva para ler uma página?

10:44 Eu depende, né? Depende do assunto, depende do conteúdo, né? Porque assim, se for um conteúdo mais filosófico, você demora um pouco mais, né? Você lê mais de uma vez, inclusive. Então, se é um conteúdo mais técnico, você lê rapidamente, né? Então você você consegue ler com mais rápido fluidez, digamos assim. Então vamos levar 1.4 bilhão de minutos. De minutos, é uma página por minuto. É por aí, por aí. É bastante tempo. Eu acredito que então por isso que ela ela hoje ela ela é como o nosso colega falou, é um hype, mas assim é uma necessidade até porque não tem número de servidores para dar conta de tanto processo. Possível. Uma coisa, uma coisa que é muito importante, a gente não vai abandonar aqui durante a nossa discussão, é a segurança associada a isso, né? A próxima pergunta, ela trata de o que que mudou mais rápido, mais rápido nos

11:40 últimos dois anos, né? E estamos aqui usando dois anos como um parâmetro, mas poderia ser no último ano, né? Inclusive, tecnologia, processo ou cultura. Por que que eu faço essa provocação para vocês? a gente viveu, né, vocês mais do que eu, alguns ciclos de inovação ou de tecnologias que foram disruptivas ao longo do tempo. Me lembro, já trabalhava com tecnologia, mas eu me lembro quando, quando foi o hype da cloud, né? Caramba, aquela migração louca, todo mundo tem que ir, vai, não tem que ir. E e mas em em específico, quando a gente fala de IA eu pelo menos não me recordo, e aí fazendo alguns estudos sobre o tema, eu não me recordo de um outro momento tão disruptivo de tecnologia em que o usuário adotou primeiro do que o processo foi construído. Quando a gente fala de cloud, ou

12:29 veio-se o hype, mas você tinha uma arquitetura, você tinha uma todo tudo que vinha junto para que aquilo acontecesse. Ele não era acessível ao usuário final assim, ah, vou mudar a minha a minha estrutura para a cloud, o usuário entra lá e fala, foi um hype mais corporativo. Então, e a IA não, a IA tira isso, né? Ela muda um pouco isso. Ela cria um paradoxo que é você construir governança, você construir cultura em cima de em cima de algo que o teu usuário já tá usando na prática. Então, voltando aqui à nossa pergunta, né? Na visão de vocês, nesses últimos dois anos, dentro das instituições, que que mudou mais rápido, tecnologia, processo ou cultura? Eu faço uma reflexão. Tecnologia muda de um dia pro outro, né? Processo a gente demora um tempo para fazer, cultura, uma geração inteira. Geração, geração.

13:18 Então, assim, que que vocês têm visto hoje dentro da instituição de vocês? compartilhe um pouquinho com a gente. A tecnologia, ela ela com com certeza foi a que mais evoluiu nos últimos dois anos, né? A a cultura ela demora um pouco mais, né? Porque você precisa treinar também os seus usuários, né? E leva esse tempo para você treinar. Então assim, a tecnologia ela ela é, como você falou, é muito rápida a evolução. Então cada dia você vê a parte de dispositivos, a parte de soluções tecnológicas. Então é muito rápida a evolução e a cultura ela ela é um pouquinho mais demorada, o pessoal tem um pouquinho mais de resistência para adotar a a novas formas de trabalhar, né, de de de fazer a mesma coisa. Tem uns processos também acabam sendo um

14:04 pouco mais demorados de ser implementados e melhorados por causa da resistência cultural. Então, eu creio que os usuários essa parte da de capacitação pessoal, ela ela leva-se um pouquinho mais de tempo. Então, por isso que a cultura demora um pouquinho mais para evoluir, né? Então, a partir do momento que você capacita, eu acho que o processo fica um pouquinho mais simples e mais fácil de ser implementado dentro da instituição. Perfeito. Perfeito. A a cultura, acho que no judiciário, especificamente, né? Claro que tem outros segmentos, mas eu acho que ela ela é até um pouco mais complicada de ser mudada, né? O judiciário ele tem historicamente essa coisa do rito. Uhum. Da liturgia, do modelo ali, né? De certa forma engessado. E aí eu acho que isso, né, corrobora para essa demora, como a gente brinca no TJ de São Paulo, demora para virar o transatlântico. Demorado. Perfeito,

14:57 né? Uma brincadeira. Movimento mais lento, né? Exato. É um movimento lento pela própria característica, né? A gente tá falando de um judiciário. E aí falando um pouco de história, historinha, né? Pô, a gente teve isso quando mudou do processo manuscrito pra máquina de escrever. Perfeito. Exato. Já foi o primeiro impacto. Aí depois entra o processo digital, né? Aí lá tá, não é manuscrito. É certeza que alguém falou assim: "Isso não vai dar certo". Não vai dar certo. Não. E assim, ah, é manuscrito, agora é máquina, eu não vou saber quem fez. Ah, não, mas o juiz continua assinando. Aí superamos. Não, agora no computador vai ficar tudo igual porque Ctrl+C, Ctrl+V. Não, mas o juiz continua assinando. Então superamos. Eu acho que a gente tá vivendo mais uma mudança cultural, né, do que a gente falou aqui. Juiz continua assinando, fazendo referência ao passado, só que numa numa velocidade

15:46 muito maior, né? E processo é uma decisão organizacional, né? Cultura, a gente já tá falando de mudar a mentalidade humana. Exato. Eu participei um pouquinho dessa transição do papel para pro sistema digital. Pô, pensei que ia falar da máquina de escrever [?]. Vamos devagar. Até para explicar um pouco melhor sobre isso. É interessante que quando saiu do papel a aplicação ela tentou refletir o que o pessoal fazia fisicamente. Perfeito. Perfeito. Então do processo tá na mesa do usuário, né? Por exemplo, lembra quando você ia pros cartórios, né? Você enxergava aquele aquela pilha de processo nas mesas. Então, ah, para adaptar melhor a usabilidade, o que que os os engenheiros de requisitos fizeram, né? Então, pegaram essas essas nuances práticas do dia a dia e transformaram isso para aplicação. Então, isso também

16:37 ajudou o pessoal a sair do papel para um choque de realidade, né? Me permita te cortar um pouco e dar um exemplo claro disso, né? A gente tem até hoje arranjos de mesa com um monitor na horizontal e um na vertical. E esse na vertical é justamente para ler o A4 físico, né? É, é para não ter essa ruptura. Quer dizer, eu lia aqui um A4 e nada contra. É, mas é um exemplo claro dessa evolução de cultura. Você tem a visão da página inteira, você não tem que fazer, você não tem que rolar, né? Para não criar essa essa ruptura, né? De, "Pô, mas eu olhava aqui uma pastinha, agora eu tô olhando." Não, você tá olhando pro monitor, mas é o mesmo papel que você olhava. É, eu estaria completamente equivocado em falar que a maior barreira pro para IA hoje dentro do setor público não é técnica, ela é humana?

17:29 completamente errado, não. Completamente errado não. Eu acho que é discutível. Muito discutível. Mas assim, aí hoje como você mesmo no início aqui comentou, a os usuários eles começaram a utilizar ela porque teve aquela sensação de que eu não preciso pensar muito porque a ferramenta vai fazer tudo para mim. Então tem essa falsa percepção que é tudo fácil. Tem gente que ainda tem essa sensação até hoje, tá? Então esse é o dizer que a maioria é o que eu discuto. Então hoje por isso, por exemplo, eu sou da área de tecnologia, né? Então, fiz técnico de processamento de dados, fiz ciência da computação. Se você faz nos cursos de tecnologia, você estuda algoritmos, você estuda linguagem de programação, então você tem todo um uma qualificação para você poder desenvolver algo. Então, com

18:16 a IA deixa dessa percepção de não precisar fazer isso. Então, a galera fala: "Eu não preciso ter um conhecimento aprofundado em lógica de programação, certo". Então, hoje eu a ferramenta faz para mim e é totalmente equivocado. Então, a adoção ela se torna os entusiastas acabam se digamos assim mergulhando na IA, exatamente porque tem essa falsa percepção que tudo é fácil, eu consigo, não preciso de muito conhecimento para fazer e a ferramenta faz e aquela fé cega na na IA. Então nem confere, né? não faz uma revisão. Então esse é o grande, então assim e achando que a IA ela vai substituir, que a gente vai discutir ao longo do do podcast, vai substituir o ser humano, não

18:59 vai? Então essa essa eu vejo que essa adoção de de pelos usuários é mais nessa sensação de tá é hoje o custo também é abaixou muito, então você tem acesso hoje à IA fácil, né? Então, então, então o pessoal tem mais, digamos assim, e todos usuário tem as suas necessidades e as suas especificidades, então ela acaba criando coisas para facilitar o seu dia a dia. Aí ela foi adotada exatamente para isso, para eu tenho uma necessidade, a área de tecnologia ela tá sobrecarregada com outras coisas, então ela ela não pode deixar de fazer o que ela tem que fazer para atender uma necessidade específica daquele usuário. Então o Já fala assim, não, com a IA ela ele ele ele teve essa sensação, não, eu não preciso da área de tecnologia, eu mesmo posso resolver meu problema de uma forma rápida, simples e instantânea. Esse modelo até arrepia, mas vamos que

19:52 sair. É, é o que se passa na cabeça do usuário, né? E e eu penso o seguinte, a IA ela veio para automatizar muito a tarefa e eu acho que nisso ela tem um papel essencial, na faz muito bem na celeridade, mas o senso crítico continua sendo nosso. Então assim, a gente tem que analisar toda a documentação, analisar todo o relatório para entender se aquilo faz sentido pro nosso, é, o termo para isso é curadoria, né? Exatamente. Então assim, independente de quem cria, você tem que ter um responsável por aquilo que tá sendo gerado. Então, a curadoria ela é importante. Você, parte do que você falou, Edu, eu concordo que a IA, ela ela tira esse peso do profundo conhecimento, do notório saber. É perfeito. Mas ainda assim você tem que saber o que você tá pedindo. E aí eu lembro, minha mãe dava um exemplo pra gente muito

20:39 quando a gente era pequeno, falou assim, ó, você ter alguém na tua casa cozinhando para você, você tem que saber o que você vai pedir pra pessoa. Se você não souber fazer um arroz, você não sabe que aquele arroz ficou ruim. Uhum. Então, assim, eu tô dando um exemplo bem e aqui, mas é exatamente a mesma coisa. Você pedir para a IA... Eu eu tenho uma frase que eu estudo na minha na minha, em uma das pós que eu faço de IA, que é o seguinte, né? Se você pede para a IA fazer algo que você não sabe fazer, você não é capaz de criticar o resultado, de analisar a resposta. Esse é o... Então, esse é o grande problema. Quando você pega alguém que tá tentando endereçar uma dor de um segmento ou de um mercado ou de uma atividade que ela executa, normalmente você vai ter uma curadoria da entrega, porque a pessoa

21:21 tem domínio sobre aquilo que ela tá pedindo. O problema que a gente tem hoje é que são pessoas que estão pedindo coisas para a IA, de que elas não têm conhecimento algum. Ah, eu acho que dá para fazer isso. E aí, cara, você não consegue garantir a entrega nesse sentido, porque você não tem conhecimento prévio ou necessário para criticar. E aí é muito legal que a gente, o que eu mais vejo é em evento que a gente vai é a apresentação montada toda em IA [?]. Então assim, é IA falando de IA, né? O cara não tira vício de linguagem, não tira nada, assim, você consegue ver na prática que o cara jogou num num Claude [?] da vida e o que gerou tá na tela sendo apresentado para milhares de pessoas. Então assim, houve curadoria daquilo, cara? Me arrisco a dizer que não. Não, alguns detalhes aqui entrando rapidamente na na área acadêmica. Ah, você deve sofrer absurdamente,

22:09 percebe trabalho, né? Meu Deus do céu, por que eu não estudei na época de você... percebe claramente quando uma entrega é, já virou um uma brincadeira interna, a gente percebe claramente quando algo foi produzido por IA, porque vem com uma conclusão no final. Perfeito. Fechamentozinho, tem um entendimento. Percebeu, pode ver. Qualquer pergunta que você faz genericamente para qualquer IA, né, ele dá lá os argumentos, não sei o quê e tal, e aí lá no final ele coloca a conclusão. O cara copiou e colocou conclusão. Não esquece, já começou. Gente, acabou de falar de curadoria. Você que é estudante, ó, me procura depois. Eu tenho uns prompts, eu tenho uns prompts, cara, para você colocar aí, ó, e não parecer, o professor não pegar vocês aí. E ainda que o prompt não seja dos melhores, não põe a conclusão. É muita,

22:55 é muita guela. Você tem que treinar o modelo, pessoal. Não faça isso comigo, né? Faça isso comigo, pelo amor de Deus. Agora aqui, uma pergunta que eu acho extremamente relevante, pro judiciário, mas pro poder público, pros órgãos públicos no geral, tá? a gente participa muito de processos, temos diversos clientes aí, o Lucas conduz muito bem isso dentro da companhia hoje. E, e uma preocupação de quase todos os processos que a gente participa é a questão de soberania. Perfeito, né? E aí, cara, quando a gente fala de IA e fala de soberania digital, isso rompe assim as barreiras do que a gente consegue compreender. E aí eu queria entender como é que vocês hoje tão olhando para essa para esse assunto quando a gente fala de IA. Eu sei que já é uma preocupação quando vocês compram tecnologia no geral, sim,

23:43 né? Onde é que o meu dado vai estar hospedado? Como é que isso vai tá quem vai ter acesso a esses dados? Mas quando a gente fala de IA essa essa barreira ela expande muito, né? Ela fica quase que sem controle por por onde esse dado tá sendo transitado, né? Ele tá indo para um para um servidor num país que não reconhece as minhas regulações e aí por consequência disso eu não consigo proteger o dado como eu protejo aqui no Brasil. Como é que vocês enxergam isso? se vocês de alguma forma já têm pensado em gatilhos ou mecanismos para evitar esse tipo de coisa com os atuais fornecedores de inteligência artificial de vocês hoje? Pode, então assim, eu ia começar assim, a nossa preocupação é exatamente a proteção de dados, né? Então assim,

24:29 essa preocupação de dados, ela é latente. Então toda contratação que nós fazemos, a gente tem as cláusulas contratuais exigindo, né, que os dados sejam armazenados em território nacional. Então isso a gente tem essa preocupação já na no processo de contratação, né? E o que eu vejo muito em relação a IA e qual é a nossa principal preocupação com isso, né? Você ter autonomia e não ter dependência das plataformas estrangeiras, né? Então isso também essa essa é o grande foco, né? Então você ter essa a informação no armazenado em território nacional e não ter essa tanto essa dependência estrangeira dos dados tá fora do e também para atender as legislações de LGPD, por exemplo, né? Então, a gente tem essa, tem que atender essas essas, digamos, essas prerrogativas na hora de fazer a

25:23 contratação e na hora de de você armazenar os seus dados. Então, a gente tem essa, não tem como não pensar nisso já de início, né, desde o início da da contratação até a execução do e do da contratação efetiva do local onde vai ser armazenados os dados. Então, essa é uma preocupação que não tem como fugir, né? Então, a gente tem que atender a legislação. Então, é uma meio que obrigatório, né? para pra gente que trabalha com com cibersegurança, né, falar que a proteção do dado sempre foi o ativo mais importante da da companhia, da do órgão público, né? E agora quando a gente fala que o dado ele vai ser exportado para uma IA [?] que vai ser tratado, manipulado em qualquer lugar do mundo, que a gente não sabe nem onde fica, como é que esse desafio que vocês enxergam hoje, né? Então, eu ia complementar, né? É uma

26:13 preocupação a questão da soberania, eu acho que é, não só pro pro judiciário, acho que para a sociedade, né, de um modo geral, hoje a gente é completamente dependente de de tecnologias ou de plataformas que não tão aqui. Então não tem como, né, é uma preocupação, é, dá para ver uma luz no final, um fim do túnel a médio, curto prazo? Infelizmente, eu, minha opinião, eu acho que não. E a gente começa a debater isso lá atrás quando a gente falava de cloud já e a IA complica um pouco mais, como você colocou, mas a gente já discutia isso em cloud. A gente não tem hoje uma cloud nacional, inclusive já foi tema aí de discussão com CNJ, do CNJ fazer uma cloud do judiciário soberana, enfim, só que a gente tá falando de tempo, a gente

27:01 tá falando de altíssimos investimentos que a gente sabe que dinheiro, né, extremamente complicado. Então, e é uma preocupação, é, dá para resolver? Eu acredito que não. Eu acho que como Edu falou, a gente se preocupa e tenta blindar ou tenta cercar isso de alguma forma. Então lá na contratação você coloca cláusulas contratuais, cláusulas de privacidade, onde que o dado tá armazenado, mas vamos ser muito prático aqui, é uma garantia de papel. Perfeito. Exato, né? OK. a gente tá falando de big techs, tal, acho pouco provável que, né, eles entrariam numa linha de prometer uma coisa e fazer outra, mas ainda assim a gente tá falando de uma proteção papel, não tecnológica. O papel tá dizendo que o dado tá no Brasil. Agora, quem que comprova? Qual é a comprovação clara que eu tenho sobre isso? E óbvio, tentando não fugir um pouco do tema, né, mas geopolítica a

27:54 gente não consegue tirar do do cenário. A gente vive um momento de muita instabilidade [?] com relação a isso. Sim. E garantir que o dado vai estar protegido mesmo num num momento de conflito, num momento de guerra, eu entendo que é que é muito difícil, né? É a inteligência de estado, né, cara? Não passa a ser só de segurança, né? É, é na linha ainda do que o Edu colocou de garantir contratualmente tal, a gente vê algumas iniciativas e aí eu acho que TRF e o TJ de São Paulo não é diferente. A gente começa a ver algumas coisas pontuais do tipo que parte de qual IA eu vou rodar internamente, né? Então a gente começa a ver investimentos internos para nuvem privada de GPU, de soluções de IA, alguma alguma solução que que encapsule um LLM ou algo do gênero para tentar resolver

28:44 parte do problema. Como eu falei, eu não vejo como solução total. Tem algumas questões que são bem pertinentes, que é o seguinte, né? Quando você fala de cloud, aí você trouxe muito bem, Edivaldo, não tem uma cloud nacional, né? Você tem isso, mas a gente tá falando ainda de hospedagem de dado. Uhum. Quando a gente fala de IA, a gente fala de duas coisas muito importantes. Uma é onde o dado tá de fato armazenado. Você fez o upload de um arquivo, se a gente tá falando de armazenamento de dado, mas a gente tá falando de interação e a transição, né, o transacionamento desses dados, o movimento desses dados. Por mais que eu esteja, e aí vamos extrapolar aqui, construindo uma IA interna, tá, cara? Você vai fazer perguntas que ela vai consultar esse dado em algum lugar. Internet,

29:25 a menos que você esteja criando uma IA interna com repositório interno, onde a inteligência é 100% sua e aí você não tá consultando nada na rede e aí a gente sabe que o modelo já fica limitado por natureza. Exato. Assim, você tá enviesado por não ter uma variedade, seja, não tem onde correr. Então assim, como é que você garante que a minha LLM interno, meu modelo construído internamente para fazer o enriquecimento de uma pergunta ou de um processo ou de qualquer coisa que eu fiz, como é que ele tá pesquisando isso, como é que ele tá levando essa informação para a pesquisa. E aí um um uma provocação que eu faço aqui, na verdade, uma grande oportunidade para que a gente tá para quem tá assistindo a gente também de casa, a gente construiu

30:05 na Vortex um uma metodologia, né, um modelo de assessment onde a gente um do um dos dos entregáveis ali, os artefatos que a gente faz a a a entrega no final ali pros nossos clientes desse assessment é um modelo de arquitetura sugerido, né? Então, o que que é esse modelo de arquitetura sugerido? Baseado nas dores e demandas que vocês buscam endereçar, ou seja, que os órgãos, que as empresas buscam endereçar, faz sentido eu ter parte da minha solução num lugar, parte da minha solução em outro. O que que eu quero dizer com isso? Não existe uma bala de prata de IA que vai resolver todos os seus problemas, né? Dependendo a... Ah, Victor, a minha necessidade de IA é leitura de documento. Certamente você vai ter uma uma IA que faz isso melhor do que outra. Ah, a a parte da minha dor aqui é processual, é

30:54 vídeo, por exemplo, é interação com o meu usuário final. Pô, você vai ter uma IA que é especialista nisso. Então, assim, faz sentido você ter soluções fragmentadas, né? Principalmente quando a gente fala de arquitetura, de modelo de IA, para atender dores que são completas e complexas, na verdade. Então, assim, parte do que você falou, eu concordo plenamente, é o que a gente já entrega hoje, que é dar essa visão de arquitetura de acordo com as dores e as demandas que a gente busca endereçar com o uso de IA. Então assim, é um, eu entendi que é uma preocupação, mas que a gente não tem ainda de forma muito clara como se precaver disso. Não tem. É o mesmo, volto pro paralelo da da cloud, né? A cloud [?],

31:38 de que assim, acabe com o seu ambiente e leve tudo pra nuvem pública e não tenha mais preocupação com com infra, com infra, claro, disponibilidade, eu vou garantir isso para você, tal. E a gente viu que, né, a história mostrou que não é bem assim, né? E hoje a gente vê a nuvem híbrida, a gente vê, né, cada workload no seu quadrado, tal. Eu acho que a IA tá indo na mesma. Hoje a gente vê uma preocupação com cloud, com FinOps, por exemplo, que nunca foi tão forte, porque cloud virou uma um ralo de dinheiro, cara. Assim, virou, você transacionou teu ambiente físico para um ambiente em cloud as is [?], né? Você pegou tudo que você tinha e não pensou no melhor modelo de arquitetura. Muita gente fez isso, você espelhou. Quero me livrar da preocupação da infra. Perfeito. Perfeito. E aí isso fez com que você tenha um custo absurdo de

32:20 cloud. E aí agora tá todo mundo, calma aí, deixa eu, deixa eu fazer aqui só jogar um tempero aqui. E quando a gente fala de token de consumo de IA? Nossa, aí a gente tava numa conversa exatamente [?], tem uma empresa americana que liberou liberou o uso do Claude [?] pros seus usuários, né? Eu vou me atrever a falar um dado errado porque eu não me recordo exatamente do dado, mas e a gente brigou por esse número, tá? Foram 500 milhões de dólares no primeiro mês em token, porque ela liberou sem sem governança. Falei: "Não é possível. 500 chegou errado." Eu falei: "Não foi 500.000". Ele não... dependendo do que que essa empresa faz, diria que ela fechou. Exato. Porque a não ser que seja assim, né? que ela fature cinco vezes, 10 vezes isso por mês. Se chegar uma faturinha para você de token de R$ 500 milhões de reais, no... mil milhões de dólares [?]

33:09 no final do mês assim é, você quebra, não tem condição, não tem negócio que sustente, né? Não tem. E certamente acho que todos aqui, né, o pessoal que tá assistindo também já deve ter lido algumas matérias, tem várias aí na na internet falando justamente disso, né, da empresa que trocou o funcionário, vou falar no singular aqui, mas trocou o funcionário por uma IA para economizar e agora chegou à conclusão que a IA tá mais cara do que manter o funcionário. Manter o funcionário. Exato. Volta o cara, pelo amor de Deus. A gente entra numa discussão que é bem interessante e aí como o Edivaldo brincou aqui no início, quando a gente estava conversando antes, é é assunto para um outro podcast, que é a gente falar de governança, né? Então assim, você adotar um negócio sem governança, qualquer coisa, tá? Tô falando de IA aqui, mas poderia ser qualquer coisa.

33:52 Qualquer coisa sem governança é garantia de caos. Exato. É garantia de caos, né? Então assim, não tem muito para onde correr. Eu vou alterar aqui a ordem das perguntas que eu ia fazer pro próximo bloco, só para atrapalhar o Edu que tá vendo a cola dele ali. É, mas eu acho que tem a ver com o que a gente acabou de falar. A alta gestão das instituições realmente entendem os riscos associados ao uso de IA? Não vou nem comentar, vou deixar vocês responderem. É, é, eu acho que afirmar categoricamente é até um erro, né? Talvez se bobear, acho que nem área técnica, hein? Conhece todos os riscos de IA. Mas uma coisa é fato, IA virou tema de de board, né? A TI de um modo geral já tinha já tinha virado e agora a gente tá falando do hype da IA. Não tem como, não

34:40 tem como não falar disso. É, e aí eu acho que todo tema que vira hype ou que tá no no num bate-papo desse de um comitê de governança, por exemplo, ele acaba ganhando alguma importância, ainda que nem todo mundo, a gente tá falando, né, de vários perfis, ainda que nem todos, talvez tenham a a a correta visão disso, mas eu acho que hoje minimamente esse cara do board, ele já tem a visão, se não de tudo, dos problemas que isso pode causar, porque de novo, ou vira tema de toda a reunião. Então, ainda que eu não tenha muita muita muito dia a dia com isso, eu ouço, né, né, eu ouvi nessa reunião, eu vi naquela, eu ouvi do CIO [?], eu ouvi e aí você acaba ficando o dia a dia. Então, falar que que ele conhece 100% dos riscos, eu acho que nem a TI se bobear, nem a área técnica, mas já virou um tema de de governança.

35:34 Então, isso pra gente facilita do mesmo modo que segurança, né, deu essa esse salto lá atrás. Ele pode não entender todos os riscos, mas ele já se preocupa com eles. Perfeito. Perfeito. Eu acho que ele e aí e desculpa, e aí uma vez que ele entende e aí é é o papel dele buscar com o CIO, com o CSO ou com quem quer que seja, como que esse risco me afeta de fato, né? Qual é o tamanho do problema se esse risco se se concretizar? E aí de novo passa a virar dia a dia. Eu só complementar que o desafio não é só conhecer os riscos também, né? Também desenvolver mecanismo de segurança para controlá-los, né? E e monitorá-los e mitigá-los também, né? Então isso também eu acho que é um grande desafio. Conhecer os riscos, acho que o pessoal tem até uma noção já. Agora, como controlar e mitigar isso,

36:20 acho que é um é um desafio para para as organizações, assim, acredito que é, eu costumo eu costumo dizer o seguinte, né? alta gestão, ela normalmente um pedido do uso ou da adoção de IA ela vem provocada por uma interação que ele teve no particular, numa experiência particular dele. E aí ele traz isso para dentro da instituição, aí falando no no de uma forma geral, visando o que a gente chama de aceleração. Então, assim, cara, tá todo mundo usando IA para acelerar alguma coisa dentro do seu negócio. Eu também quero. E eu também quero. E aí eu acho que ele surfa um pouco o hype nesse sentido. Quando a gente fala especificamente aí da do desafio de vocês enquanto é gestores de tecnologia, de segurança, é acho que o grande desafio tá em você

37:07 equilibrar, porque assim, a alta gestão tá preocupada em acelerar o negócio, vocês estão preocupados com a exposição que isso traz do negócio. E aí precisa equilibrar isso, né? a a velocidade que quem vai determinar é exatamente o equilíbrio entre essas duas variáveis, o quanto eu preciso acelerar e o quanto eu preciso e mitigar ou não ter uma exposição alavancada, né? Uma frase que eu falo sempre é, né? O a IA ela acelerou os negócios a 300 km/h, cara, e nem todo mundo tem freio para poder pisar e o carro parar. Então assim, equilibrar essa velocidade endereçando dores de mercado, dores de, né, do teu segmento, dores do teu dia a dia, com a exposição que você obrigatoriamente traz com o uso. É, é. E aí é um é uma tarefa que cabe aí a aos gestores de tecnologia, aos gestores de segurança, que é trazer talvez essa

38:03 visibilidade pro board ali, pra direção que olha, calma aí, precisamos avançar, mas tem um tem um if aqui, tem um deixa deixa eu te explicar o que que isso traz aqui. Eu acho que esse letramento é importante para que a gente consiga dar passos plausíveis e seguros, né, nesse sentido. E aí, por que que eu inverti? que isso tinha a ver com o que a gente tava falando antes. E a próxima pergunta é, né, quando o algoritmo influencia uma decisão judicial, quem é o responsável, o juiz, o sistema ou a instituição? É, obviamente uma pergunta meio quase que retórica, porque a a responsabilidade ela recai ainda sobre o juiz ali no final das contas. Mas como é que a gente garante isso no futuro, né? Como é que a gente garante o o quão uma IA pode influenciar num processo? E aí, enfim, como é que vocês enxergam isso no dia a dia de vocês? Se é uma discussão que vocês escutam

38:54 internamente, se é uma preocupação nesse sentido. Já na linha do que, né, do que você colocou na própria pergunta, o modelo hoje ele continua apontando para uma responsabilidade do magistrado, que é quem vai assinar, né? E no, claro que é uma preocupação interna, porque a gente sabe que, por mais que o magistrado decida, tudo o que aconteceu antes para ele chegar nessa decisão, vai ter algum peso dentro ou fora da IA, né? Isso, isso já é histórico. Mesmo antes da IA, o juiz já tem uma linha de julgamento, já tem seus princípios, uma tendência ali, né? É, pensamento, princípio, um viés, né? trazendo pra IA, tem um viés, pensando pra IA, o metodologia, ele tem, o juiz, o ser humano, o juiz, ele já tem a su... é sua característica de de e o que que ele viveu ao longo da vida, né? Quais são os seus suas experiências? Exato. Suas experiências. A pergunta provoca justamente no sentido de quando isso sai da capacidade do ser humano para um viés de uma IA que tá analisando, né? Essa essa é a grande questão ali do da influência. Exato.

40:00 Então assim, é algo que é disc..., óbvio que é uma preocupação, mas é algo que não é completamente novo. Claro que a gente tá escalando isso absurdamente, mas a questão do viés ela não é não é algo totalmente novo. E talvez falando da IA no pra decisão judicial, eu acho que a gente tem uma vantagem, vou chamar de vantagem perto de outros problemas, porque o processo judicial ele sempre tem, via de regra, dois lados, dois ou mais lados, que é o tal do contraditório. Então, quando a gente fala da IA tá interferindo ou não, quando eu não tenho o outro lado, eu tô eu tô diretamente vinculado à aquela decisão assim, quem que vai reclamar? Num processo judicial, a gente tem minimamente dois lados. Então é o tal do contraditório. Eu, se eu for beneficiado, eu tenho outro lado que provavelmente vai questionar ou uso da IA ou viés utilizado, seja ele humano ou não. Então, de novo, é uma preocupação,

41:01 eu acho que tem que ser visto porque escala muito a questão de viés, só que a gente tem o outro lado que fala: "Opa, pera aí, essa esse argumento aí que a IA te deu, eu sei, sei lá quem te deu", possivelmente vai reclamar e aí vai cair no contraditório, vai cair em todo o rito judicial de novo. Então, olhando para esse lado de contestação, eu acho que a gente tem uma vantagenzinha aí no uso da IA. Eu não posso usar do jeito que eu quero, vai ter alguém que vai contestar o feito. Diferente em decisões que envolvam um único vinculado [?], por exemplo. Só complementando que a supervisão humana é essencial, não tem como confiar cegamente na na IA, né. É, então você pode, ela é uma ferramenta de suporte. Perfeito. Então ela não pode substituir o que o intelecto, né? Então ela ela os argumentos. Então a decisão final sempre tem que ser do ser humano. Então eu vejo aí, a nesse sentido, ela é uma excelente ferramenta de suporte, tem que ser utilizada, mas utilizada com cautela. É que eu falo, a segurança da informação

42:00 não mudou com a IA [?]. Você precisa manter a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade da mesma forma. O que vai mudar são como você vai fazer isso, né? Então, dentro da dentro de um contexto de IA. Mas eu acredito que sem a supervisão humana a responsabilidade é totalmente humana. Então não tem como transferir isso para a IA, né? Aí ela, foi o que a gente falou no início aqui do podcast, a ideia de você trazer a a IA como uma aliada é nesse sentido de ela ser um suporte apenas, não substituir a o intelecto e a atividade assim o o ser humano em si. Voltando pro pro só é complementar, juridicamente falando, a gente volta pro começo da da pergunta, né? usou a IA, não usou a IA, tem viés do magistrado, tem viés da IA, não tem, né? Ele não e ele continua responsável pela decisão dele, né? Só corroborando aqui o o que o Eduardo disse, né? Assim,

43:02 voltando lá no no tema universitário, a conclusão tem que ser humana, não tem jeito. A conclusão tem que ser humana. A gente pode ter a descoberta de dados, pode ter a catalogação de dados através da IA, mas a análise e conclusão precisa ser humana. não tem não tem outra justificativa, pelo menos no meu ponto de vista. Mas assim, no meu ponto de vista, a qualidade do dado também que é é manipulado dentro desses algoritmos é também importante, né? Então, o que seja se é um é um documento interno, se é documento extraído da externamente. Então isso e a qualidade do dado ainda ainda influencia, porque se você alimenta a IA com dados digamos com viés, ela vai ela vai ser tendenciosa. Então assim, você e hoje o foco na IA também na qualidade da informação que é manipulada também é importante também ali na hora de você digamos tratar com dentro de IA a informação dentro desses algoritmos. Tem uma imagem na internet que fala muito

44:00 disso, ela é icônica, fala de assim, entra lixo, sai lixo, né? Então assim, se eu vou processar lixo, então dependendo, se eu se eu não tiver uma qualidade do dado e um contexto daquilo que eu tô pedindo, não tem como você exigir algo do lado de fora aqui na na saída que o output disso com qualidade, que é exatamente o que você acabou de falar, a beleza da tecnologia, né? A gente voltou lá pro processamento de dados, né? Entrada, processamento, saída. a gente tá falando de só que a gente voltou. Mas exatamente, mas e que e é tão importante isso, né? Porque as pessoas ah não, e então assim, o que você alimenta também é o que você vai depois digamos colher do futuro. Então a qualidade da informação também, eu vejo, a pessoa fala muito de tecnologias, algoritmos, mas a informação também que é manipulada ali também tem que ter esse essa preocupação, porque eu acho que ela é muito importante, né? Perfeito. Obrigado pela pela tua percepção, porque é exatamente isso, cara. Só me ver. Você que tá assistindo em casa, quiser a imagem que eu tô falando aí, pede no nos comentários aí que eu mando para vocês. Só um um

45:00 comentário aqui também, produção me mandou aqui, ó, o meu dado dos 500 milhões de dólares estavam certos, tá? A empresa não foi divulgado o nome, mas quem quiser o link também aí bota no comentário que eu mando para vocês a notícia. Não foi divulgado o nome, mas quebrou. Exatamente. Vamos, vamos aguardar no mercado quem tiver postando, é, quem postou e que empresa tal fechou, a gente já vai saber que fechou, entrou com pedido de recuperação, algo do gênero. É essa daí. Se fosse no Brasil mudava só o CNPJ. É, tem essa também. E aí eu vou fazer uma provocação aqui, uma pergunta para vocês que é, e aí tá muito, acho que no papel de vocês hoje, nas instituições que vocês representam aqui, desempenhar isso. Como é que a gente equilibra inovação e segurança sem transformar a a a governança num bloqueio para essa evolução tecnológica? Assim, historicamente falando, nós que trabalhamos com tecnologia já somos considerados os vilões da história. Perfeito.

45:53 Aqueles que trazem a dificuldade, aqueles que dizem não, aqueles que fazem tudo isso, né? Então, área de segurança, então, é espetáculo. Exatamente. Então, assim, pergunta de prova valendo, né? R$ 1 milhão de reais. É para colocar a conclusão. Como é que a gente equilibra isso, cara? Inovação e segurança sem que governança seja de fato ali um bloqueio disso ou um fator de trauma pra adoção de qualquer coisa nova. É o que você falou, é é pergunta do milhão, né? Pra gente o que tem funcionado não tô falando que é o melhor modelo, eu falei pergunta do milhão, cada um vai ter, né, n formas aí para resolver. O que tem funcionado pra gente até agora é a boa e velha análise de risco, né? A gente falava disso agora há pouco, OK, tem hype, eu quero, traz benefício, traz retorno. E aí entra o chato da segurança da TI e fala: "Ó, de fato, traz retorno, traz benefício, traz ganho". Vírgula, mas tem esse risco aqui. Exatamente,

46:56 né? Olha, traz o ganho, mas tem essa possibilidade de vazamento tal. Traz ganho, mas pode afetar tal característica. traz ganho, mas essa integração aqui pode abrir tal brecha. Traz ganho, mas e aí de novo o que tem funcionado pra gente, a gente coloca tudo isso na mesa, na reunião do comitê de segurança, do comitê de governança e alguém vai decidir pro bem ou pro mal. Essa decisão se ela vai embasar a área de TI do tipo, é a frase que ninguém gosta de ouvir, né? Eu te disse. Então assim, na pior hipótese a gente tem a proteção do eu te disse. E dependendo da da de como a gente consegue colocar ou pelo menos até hoje a gente tem conseguido, na pior hipótese o meio termo. Então tá, vamos, mas vamos com mais calma. Vamos. Mas essa aí, essa parte aqui que você falou que é mais crítica, eu vou dar uma segurada. Vamos fazer só essa outra aqui que você

47:55 falou que talvez não tenha problema. Pra gente é o que tem funcionado, viu? Compartilhamento ou contenção do risco. Exatamente. Não é bala de prata, né? Você tem hoje algum comitê que discute isso ou você, tecnologia num geral, desse de bate martelo? Tem, é, tem três comitês e aí obviamente depende do tema. Tem a transição entre comitês. Tem o comitê de governança corporativa, o de segurança da informação e um de IA. Perfeito. Então, dependendo do tema, vai circular aí por dois, por três ou por um comitê para alguém bater o martelo. Entendi. Perfeito. Só complementando, acho que é o equilíbrio, né? e também com trazer boas práticas, né? Então assim, isso também é importante para habilitar a área de segurança ou a tecnologia não tá para frear e nem tem como frear isso hoje, tá? Mas a ideia é que isso seja feito de uma forma segura, né? E de uma forma ética também, né? Então o objetivo ali é tentar fazer

48:49 o equilíbrio ali, né? E trazer as boas práticas para para dentro da organização, que nós temos tentado fazer, né? Então assim, a ideia é não é que isso seja freado, mas que ela seja feito feito com cautela, sabe? Com forma, né, com planejamento, com de uma forma segura. Então essa é uma preocupação que a gente normalmente tem dentro da instituição na hora de implementar não só soluções de IA, mas em outras áreas também de tecnologia. Vamos fazendo um um paralelo [?] rápido com o que o Victor falou, né, do carro a 300 km/h sem freio. Governança tem que ser o volante. É, então eu ia falar, vamos entrar numa numas curiosidades aqui, né? a gente tá falando de de bloqueio, por definição desses comitês, tal, a gente não bloqueia nenhuma IA no ambiente. Tem, o trabalho é híbrido, então em casa, obviamente faz o que quer, mas lá dentro a gente não bloqueia nenhum tipo de IA,

49:42 A gente bloqueia integrações diretas com o próprio ambiente, autenticação com usuário interno, tal, mas via web usa o que você quiser, seguindo regra de CNJ, regra interna, aí a gente vai embora. As políticas, né? Já existem as políticas. Exato. Mas a gente fez um levantamento, tem isso tem, acho que o mês passado, a gente a gente localizou 200, eu nem sabia que tinha tanta, a gente localizou 242 ferramentas de IA rodando no ambiente. Eu nem sabia que tinha, eu acho que eu não sei o nome de todas. Esse o número, esse é um número, Victor, vai ter de cabeça, né? Quantas hoje existem mais ou menos no mercado? Lembra que você fez na nossa última? tem 243 e a gente tem 242 em uso. Tô brincando. Não tem, tem umas 2000 e poucas, mas assim, toda hora alguém lança uma IA nova, uma e um modelo novo, uma estrutura nova diferente. E o que você tá falando, Edi [?],

50:33 é uma preocupação muito grande. Quando a gente fala conceitualmente de segurança, a gente não consegue proteger aquilo que a gente não conhece. Exatamente. É uma máxima da administração, inclusive, né? É, não, agora eu conheço, eu tô 242. Então, quando a gente fala de de IA, a gente hoje tem o que a gente chama de shadow AI, até o mês passado. IA, tinha tinha o shadow IT, agora tem. Exato. Que é escalonou muito. É, e tem outras curiosidades também, né? De como o usuário a gente pegou, óbvio, as top as top um, as top três [?], né? Entra ChatGPT obviamente, ou OpenAI na plataforma, ou a o Copilot, porque o nosso nossa arquitetura é basicamente Microsoft, você tem instância corporativa ali. É, mas a curiosidade é o seguinte, chuta qual foi a top quatro? A as primeiras é ChatGPT, OpenAI e Claude, Claude e e Copilot e a quarta Perplexity.

51:32 Não, eu não sei de ver. CapCut. Ah, perfeito. CapCut. Edição de vídeo. Eu uso muito, inclusive. Sim, mas mas tem a aplicada. Tem. Então você falou, então você falou quem quem não conhece não controla, não monitora. Mas assim, não, agora me assustou foi o seguinte, calma. Fora desse lançamento, você... [?] isso. Não, a não ser que que as pessoas estejam montando vídeos para processos, não faz sentido nenhum você ter o CapCut, daí o espanto. É, não tem, não tem. E e a gente tá batendo, eu não tô nem entrando no mérito, qual é o uso, se é corporativo ou não. E talvez até tenha, porque a gente não conhece toda a área fim. Pode ser que tenha alguma necessidade, pô, que tem até um uso ali, não tô nem entrando nesse mérito, mas a hora que você faz o levantamento, você não, você toma choque, né? Uma coisa ali que chama atenção. É, cara, visibilidade sempre vai ser a a chave, assim, sempre

52:26 vai ser. você pode não necessariamente tomar uma decisão ou uma atitude naquele momento, mas você precisa conhecer a tua realidade, né? E você aceita aquele risco ou não momentaneamente por falta de processo ou de ferramenta ou de alguma coisa que te ajude a mitigar o risco, mas nada é pior do que não conhecer o risco. Sim. ou não ter visibilidade disso. Então, isso que a gente tá falando é exatamente isso. Vou pular para uma pergunta que tem a ver exatamente com essa. Hoje existe alguma atividade que vocês não permitiriam? Eu tô, o Edu que ele tá se perdendo na cola dele inteira. Ih, cadê minha cola? Não, tô seguindo na ordem questões, né? alguma atividade que vocês não permitiriam uso de IA de jeito nenhum por questões de risco ou de segurança, que vocês assim hoje já se posicionaram nesses comitês internos e falar assim, ó, gente, aqui não, aqui não dá ou cara não tem muito como travar isso.

53:27 É, eu acho que eu já meio que respondi, né, quando eu falei da 242 aqui. Mas entrando aí no viés de segurança, a gente tem obviamente as IAs do mal, né, que a gente brinca, essas pela própria reputação de ferramenta, pela por plataformas que a gente usa, a gente acaba bloqueando por reputação. Mas fora isso, eu acabei de falar 242 aqui. Sendo mais direto, se uma nova IA não for reputada em nenhuma das ferramentas que a gente tem como risco, provavelmente ela vai ser acessada. Aí volta pra regra de CNJ, volta pra regra desse comitê de IA interno que tem boas práticas, tal, capacitação de usuário e mais um monte de coisa, mas tá liberada. Perfeito. É, a nossa restrição é de ferramentas homologadas pelo CNJ, né? Então a gente tem, o CNJ tem uma relação de IAs que eles homologam, né? Então a gente recomenda aqui utiliza aquelas que são homologadas, né?

54:24 Mas é que ele falando, a gente não tem nenhum bloqueio também de IAs, no nosso ambiente vai conseguir entrar. Mas vou vou vou refazer a provocação. Atividade que vocês não permitiriam. Eu não falei de IA, não, não, eu falei de IA. Então então então Victor aqui, ó. Escolher o cafezinho. A IA nunca vai escolher porque o cafezinho quem escolhe sou eu. Então mas assim, a gente tem a gente tem orientado e e e tratamento de informações sigilosas, né? D d dados sensíveis ou processos protegidos por segredo de justiça. Então esse tipo de informação. Ah, então tem uma flagzinha aqui, ó. Esse cara aqui tá protegido por, né? Não dá para ir. Então é é nessa, né? É é é nesse sentido. Então assim, mas se o cara jogar lá, entendeu? Falar pergunta, ela vai ela ele vai, você tem política, você não tem formas de garantir que isso aconteça na prática. Existe recomendação, mas não existe o bloqueio. Sim, exatamente. A

55:16 gente tem esse trabalho de orientação, né, assim, e precisa ser, é uma coisa que eu eu tenho conversado internamente com a minha equipe, conversado com sobre essa parte de conscientização, porque esse é o fator mais importante hoje na utilização da da das ferramentas de IA para não acontecer isso aí, pro cara não jogar um dado pessoal lá, um dado sensível dentro da ferramenta, uma vez que e numa ferramenta que não homologada pela instituição, como eu conversei, então a gente não bloqueia, mas a gente recomenda, mas instrui, né, orienta, instruir. Mas isso é complicado porque vai de cada usuário, né? Isso, a conscientização, né? E aqui que eu falo, normalmente o usuário não, ela não tá preocupada com a segurança, ela tá preocupada com a usabilidade e aquilo que vai facilitar o recurso dela ali. Então esse é o grande e e às vezes eu até falo, é até inconsciente, né? Às vezes o cara não é

56:07 maldade, não, sabe? assim, então assim, isso isso é é o usuário bem-intencionado. Usuário bem-intencionado. Exatamente. Então assim, e mas isso é uma preocupação pertinente nossa lá, principalmente na área de segurança nesse nesse sentido de os usuários ter essa preocupação de não jogar informações ali sensíveis dentro da da da das IAs que eles utilizam. É complementando o que a gente, então tem vazamento de dados, né? É, complementando, fora a parte administrativa, né, de de recomendação política, acho que tecnicamente o que a gente tem é reputação de algumas plataformas, que aí as ferramentas reputam e a gente começa agora a trabalhar com alguns guardrails, com algumas coisas que que as próprias plataformas estão implementando, os ambientes de nuvem pública estão entregando. Então a gente começa a testar, quando você começa a ter controles e começa a facilitar, né, ferrar começados podem ser inseridos [?]. Exatamente.

56:57 Uma coisa que a gente faz, só para compartilhar com vocês e com quem tá assistindo a gente, nesse assessment que a gente faz, a gente avalia a as respostas, né, a em três dimensões, né? Isso é uma visão interessante porque a maioria dos da assessment são perguntas binárias, sim ou não, né? Tem ou não tem, faz ou não faz? Faz. E a gente entrega uma visão que, né, no meu entendimento, ela é uma visão muito melhor, porque a gente avalia a o que a gente chama de política, governança e o que a gente chama de enforcement, ou seja, se você tem formas de fazer auditoria ou de garantir que aquilo que você escreveu na política esteja sendo executado ou cumprido na prática. Uhum. Isso que você falou, exatamente isso. Às vezes você tem política, você tem estabeleceu governança, mas você não tem ferramental para garantir que aquilo que você escreveu esteja sendo executado.

57:50 Exato. É, o guardrail é exatamente isso, né? Quando a gente fala de IA, você estabeleceu política, estabeleceu limite, estabeleceu regra, mas se você não tiver tecnicamente uma ferramenta ou um processo ou algo que você lá na frente garanta que aquilo esteja sendo executado, na prática você tem uma orientação que pode ser cumprida ou não, que pode ser seguida ou não. É, você passa a confiar na boa fé ou na boa índole ou na boa intenção do usuário. Perfeito, não tem para onde correr. Mas eu entendo que tanto a admin a administração pública também tá engatinhando nesse nesse sentido, né, de criar normatizações para para uma insegurança jurídica muito forte, um gap muito forte nesse sentido. Então isso isso é algo que tá sendo feito, mas eu acredito que ainda falta muita coisa. Eu acho que lá fora tá muito mais evoluído nesse sentido. Então você vê as normatizações de fora, alguns é frameworks que nós utilizamos aqui até

58:44 para nos basear, você vê que eles estão muito à frente aqui da das organizações aqui no Brasil. A gente podia olhar um pouco lá para fora e parar de querer inventar a roda, né? Exatamente. A gente fica às vezes aqui tentando, pô, criar o fogo, inventar a roda e lá fora, boa prática, rodando, fazendo um monte de coisa e a gente aqui preocupado, gastando tempo discutindo e, enfim, coisas que já estão rodando. É, aí, aí tem uma outra vírgula também, depende para onde a gente olha, né? Se a gente for olhar pra Europa, por exemplo, a gente vai é pegar pesado em regulamentação. Não tô falando que tá errado. É, não tô falando que tem que seguir igual, né? Mas assim, ó, vamos ver o que tá funcionando, vamos trazer o que tá funcionando, vamos adaptar, mas depende para onde a gente olha, vamos tropicalizar, né? Que eu acho que isso é é a regra, esse tema é tropicalizar, vamos tropicalizar o negócio pr pr pr pra nossa realidade aqui, né, de de país, de continente,

59:29 para ver se isso funciona ou não. Exato. Mas eu concordo, não tem que reinventar a roda, vamos pegar o que já tá pronto e adequar pra nossa realidade. Exatamente. Até eu até faço parte de alguns comitês também nacionais, né? E quando nós nos reunimos lá, principalmente na nessa parte, uma um dos comitê que é comissão de resposta a incidente do judiciário, né, a gente que a qual eu faço parte, tem a gente discute exatamente isso, né? Não ficar reinventando a roda e tentar fazer algo que seja e praticável, né? Então, às vezes o não é o utópico também, não é o ideal, aquele mundo do às vezes, por exemplo, você pega um framework internacional e quer descer goela abaixo aqui nas instituições nacionais, né, e nas organizações brasileiras. E não funciona dessa forma, porque cada um tem as suas especificidades. Então, você precisa criar algo que seja mais praticável. Não

1:00:15 adianta você criar uma norma, exigir que o o órgão atenda para que depois os órgãos de fiscalizador vem e falam assim: "Ó, você conseguiu implementar essa norma dentro da sua organização?" Ah, não, não consegui. Por às vezes a norma ela não é executável, ela não é aplicável. Então assim, ela tem ela tem algumas nuances que deixa desejar que não não é não consiga, não é possível adaptação. Então vejo as normas também, ela tem que ter uma ela tem que refletir aquilo que a organização também o foco da organização também. Então, às vezes falar assim, tem muita vou dar um exemplo para para exemplificar o que eu tô falando. Às vezes você tem normatização para banco, não dá para você aplicar isso para uma instituição pública, entendeu? Que o banco tem um outra ela ele tem uma uma outro foco, né? Então, então assim, então às vezes, por exemplo, você

1:01:06 tem algumas normas que ela ela tem elas são para determinados, por exemplo, para HIPAA lá nos Estados Unidos, para área de saúde, você não consegue adaptar isso pro nosso pro nosso caos aqui brasileiro. Então você... Mas olha que a gente atende o segmento de health também aqui do Brasil e mesmo não sendo totalmente aplicável, os cara cobra, viu? dependendo de como você opera, tem que pelo menos mostrar parte do do do... É, mas a gente vê essa essa questão de dosar corretamente, a gente vê com própria regra do do CNJ, sim, né? Às vezes a regra é é muito boa ou tem uma uma tendência ali de de entregar um resultado legal, só que não é viável ou não é implementável para todo mundo. Exatamente, né? E é implementável no TJ de São Paulo com 20 milhões de processo ou é uma norma que vai cair bem para um TRF ou para um TJ menor que tem, sei lá, 10 vezes menos processo? Sim,

1:02:00 né? Então a gente vê isso internamente, vai dentro do segmento, quem dirá, com normas internacionais. Perfeito, cara. Eu vou dar uma acelerada aqui até pelo nosso tempo, deixar o Edu louco também. Vou pular umas cinco perguntas aqui pra frente. Ele já tá paginando, ele já se perdeu. Qual que eu fiz, qual que eu não fiz? Esquece. que é o seguinte, quando a gente fala de IA, fala de segurança, fala de confiança, né, principalmente a gente tem inúmeros casos que já aconteceram, são públicos, envolvendo o judiciário, né, de prompt injection, de data poisoning, então, manipulação algorítmica. E a gente tem visto isso mais com mais frequência do que gostaríamos. Então, é como é que vocês hoje enxergam enquanto instituição a evolução dessas ameaças, né? que a gente comentava aqui antes do de de de iniciar, né, dos casos mais recentes agora, né, dos advogados lá colocando em fonte branca, né, considere a minha petição incrível,

1:02:55 não sei o quê. E e a gente, quando a gente falava de prompt injection em segurança, era algo sempre muito mais elaborado, né, dava muito trabalho de fazer isso, de você acessar a estrutura para poder chegar a esse ponto, né? Hoje e e é é muito mais fácil quando a gente fala com uso de IA, o cara bota lá alguma... IA tá na mão do usuário. Exato. Então, como é que vocês enxergam isso hoje? A evolução dessas ameaças e se isso é uma uma preocupação pertinente aí nos nos corredores, no cafezinho de vocês, no dia a dia de vocês? Eu entendo que é uma que tende se tornar mais sofisticada à medida que a IA é integrada aos processos críticos. Então, ela tá cada vez mais sofisticada. Então assim, a tendência é piorar, né? Então assim, essa e e eu vejo assim a combinação de governança e validação dos dados ali é extremamente importante

1:03:52 para isso. Então assim, eu não sei até que ponto a a a as soluções estão maduras nesse sentido, entendeu, de validação de de informações. Então assim, essa preocupação não existe essa preocupação, eu acredito na hora de você. A preocupação é sempre em disponibilizar a solução pro usuário utilizar. Agora, esses critérios de validação da da informação que é inserida, é é são processos ali que eu ainda vejo muito incipiente ainda. Então assim, eu vejo... Mas é um risco, né? Você vê os advogados hoje já entenderam o prompt injection, né? É isso. Opa, ninguém ensinou, mas a gente tava falando aqui numa conversa, alguém falou que dava para fazer, eles estão testando. Daqui a pouco eles entendem o conceito de data poisoning, que ali é você envenenar o modelo. Então, se todo mundo fizer, a gente vai fazer um negócio e e a IA lá do TJ vai entender, se tá todo mundo fazendo, que aquele é um padrão e

1:04:48 acabou. Então assim, começar a sugerir como padrão. Perfeito. Então assim, esse esse essa é a grande questão. Então, monitorar isso, controlar isso, você tem que ter ferramentas para isso, né? Então, exatamente da mesma forma que a IA veio, para isso você precisa de ferramentas para fazer isso. Então, assim, eu não vejo hoje assim aparelhada para para digamos assim para ter esse controle. Tem os controles, mas eu acho que ainda falta muita coisa nesse sentido ainda, entendeu? Eu concordo. Eu acho que e a própria IA vai acabar e é é curioso, né? A IA é o problema, mas a IA é a solução e isso para várias coisas. Eu acho que a gente tá vivendo mais um momento social, né, de de ruptura, como eu falei aqui, quando do mesmo modo que a gente viveu quando entrou o processo, claro, que agora muito maximizado, é quando entrou o processo eletrônico, né?

1:05:40 Ah, um vírus vai acabar com o meu processo, né? Resguardadas as proporções. E agora a gente tem outros riscos, como envenenamento do dado, como o vírus é o é o prompt. É, o vírus hoje é o prompt. O vírus é é você manipular o dado na entrada. Então eu acho que é mais um momento. E fazendo esse mesmo paralelo, claro que agora tá tudo muito mais acelerado, eu acho que a gente vai ter que se adequar, não tem outra forma, né? Não dá para voltar atrás. Acho que a gente vai ter que se adequando à área de segurança, área de tecnologia, a gente vai ter que se adequando para essas novas realidades que vão surgir, né? Não tem não tem para onde correr. Já pegando o gancho, né? IA do bem, IA do mal, né? Aí a IA para fazer o o prompt injection. Mas aí a IA de repente para olhar o documento e ler antes para ver se tem alguma sugestão. E esses casos recentes agora foram pegos pela própria pela própria IA do tribunal.

1:06:34 Então assim, a análise da IA do tribunal detectou e falou: "Opa, tem, tô recebendo aqui um comando que..." E aí já fazendo o gancho com a com a minha área hoje, né, que é segurança. Hoje o TJ a gente faz a ingestão média de 1.5 bilhão de eventos mês pro SIEM. Média. Quem que vai analisar 1.5 bi, é igual as páginas que a gente falou agora há pouco, quem que vai ler esse monte de evento? Exato. Meia dúzia de de cara muito bem intencionado e muito bem preparado. Só aqui. É, eu vou pegar esse gancho teu, Edivaldo, agora, porque você me deu que você levantou a bola atrás da linha dos 3 m. Eu tenho que cortar. Como é que o SOC do futuro precisa evoluir para monitorar esses riscos associados a IA e para ajudar no processamento desse dessa volumetria toda que você comentou aqui agora? Eu acho que vai na linha do que eu já tava

1:07:21 falando. É, hoje a gente já não vive sem a IA com 1.5 bilhão de evento mês. Uhum. Não tem como o ser humano em qualquer quantidade analisar esse número de evento. Hoje a gente tá com uma média, esse esse 1.5 bi, ele gera em torno de 200 incidentes aproximadamente e aí tem uma segunda filtragem até cair no ser humano. E eu acho que é uma tendência natural. Aí, ah, a gente vai ter que cair nessa mesma linha. E sei lá, olhando aqui pro futuro, talvez a gente tenha alguma IA que vai olhar para esse monte de ferramenta que hoje o judiciário já usa como ASSIS, como MinutaIA [?], como qualquer outro e vai gerar um dashboard pro SOC do futuro, sei lá como ele vai se chamar, dizendo a quantidade de prompt injection estimado foi identificado ali com a quantidade de eventual envenenamento da origem, tal, e vai ter alguém que vai clicar ali, ei, vai ter que tratar esse incidente, esse evento, acho que da

1:08:20 mesma forma. Perfeito. Só complementando, hoje não tem como sem a IA você dar conta dar conta com de tantos eventos, né? Dentro do da organização. Eu costumo falar que usar um termo aí muito em voga que a IA democratizou a segurança. Então, assim, você tem muitas ferramentas, né? Mas também você tem a seu a favor que você ganhou tempo com isso, né? Então assim, a gente o que você levava tempo para fazer, precisava de muitas pessoas para fazer, você consegue fazer com menos pessoas e muito mais rápido. Então isso te deu agilidade para para responder o incidente. Então hoje, por exemplo, a gente tem os playbooks, né, que a gente famosos playbooks. Então o que acontece? A ferramenta ela ela faz uma análise de comportamento e dependendo da quem comportamento ela toma algumas ações.

1:09:11 Então, a hoje nós já hoje no nosso ambiente nós já fazemos muita coisa automatizada. Então o que eu entendo hoje é que a o hoje ela tem que ter muito mais primeiro do do futuro, eu acho que tem que ser uma pessoa muito bem qualificada, conhecer também um pouco de ciência de dados, né, para poder fazer essa correlação de dados. que eu falei, a ferramenta não vai, ela faz tudo isso, mas quem vai tomar a decisão é o ser humano. Então o ser humano precisa ter qualificação para analisar esses dados e tomar as decisões que a IA, que a IA fornece. Então ela ela é isso é extremamente essencial hoje o que eu falo. Então, por exemplo, sem sem esse pilar entre você ter o conhecimento, a qualificação técnica, porque não adianta você ter uma ferramenta muito boa se você não tem um profissional que consegue extrair 100%

1:09:56 daquilo que a ferramenta pode oferecer. Então hoje eu as ferramentas de segurança ela te te municia de informações, mas você precisa tomar a decisão. E como você tomar a decisão em cima do seu conhecimento, da sua expertise ali, isso não vai, a ferramenta não vai substituir, né? Alguns comportamentos, ela consegue, toma, por exemplo, usuário com poderes administrativos trocou a senha num horário que não é comum, digamos, a ferramenta ela detecta isso. Mas quando você recebe essa informação, quais são, qual a decisão que você precisa tomar, né? Então, o usuário precisa também ter con o o o precisa ter conhecimento aprofundado, não só de ferramenta, mas também essa parte de ciência de dados hoje eu entendo que é extremamente essencial hoje para um profissional que trabalha na área de cibersegurança. Assim, hoje vou deixar uma provocação rápida aqui

1:10:42 que vai virar outro podcast. Se metade do que a gente tá ouvindo do Mythos [?] for verdade, vamos combinar, se metade for verdade, a gente vai ter área de segurança? Área de segurança vai ser quem tem a melhor IA [?]. Perfeito. Sim, perfeito, né? Como eu falei, dá dá mais quatro dias de discussão. Perfeito. E só só para enriquecer essa discussão ainda mais, o mercado, né? Se for pegar ISG, por exemplo, né, que é um é um correlato do Gartner para processo, né? Gartner olha para ferramenta ali, você tem olhando para para serviço, ele já tem uma uma um módulo que ele considera que é o Next-Generation SOC, né? A Vortex, inclusive, é líder desse quadrante lá pela avaliação do ISG, que é é você trabalhar o de uma forma que a gente tá falando aqui do futuro. O SOC do futuro ele não tá preocupado só em correlacionar eventos tradicionais. Humum.

1:11:37 É. E aí o Edivaldo falou assim: "Sabe-se lá como isso vai se chamar?" A gente chama de convergência. O que que é você ter um SOC convergente? É você ter uma visão amplificada de todas as suas camadas, independente de quais sejam. Quando a gente, quando a Vortex se posiciona no mercado como SOC convergente ou como líder do quadrante do Next-Generation SOC, coloca, é porque a gente tem a capacidade hoje, desenvolveu ao longo desses 10 anos que a que a empresa tem, a capacidade de entender essas múltiplas camadas. Então, quando a gente fala de IoT, de OT, do ambiente crítico, de operação de indústria, são pouquíssimas empresas que conseguem navegar nesse universo num único serviço. Normalmente uma indústria tem que contratar um SOC para pro ambiente operacional, um SOC para um ambiente corporativo. A Vortex entra entregando essa visão unificada. Quando a gente fala agora do uso de IA, é mesmo desafio.

1:12:27 Você vai ter ferramentas específicas falando de observabilidade, de falando de no sentido de IA e você tem o teu SOC tradicional rodando. Quem faz a ponte disso? Quem converge isso? E tratar tratar correlação de evento sem contexto real é é só ligar um ponto ao outro, cada um contando a sua própria história e alguém no meio do caminho, um ser humano tendo que correlacionar isso. O que a gente faz hoje é justamente dar visibilidade a essas múltiplas camadas, porque assim, da mesma forma que os ambientes eles cresceram em complexidade, os ataques também. Uhum. Então o ataque normalmente, pelo que pelo que a gente conhece, ele não se atém [?] a uma única camada, ele tá acontecendo em múltiplas camadas. Então se você não traz a visão de conte... de contexto das múltiplas camadas, ou seja, essa visão convergente, que é o que a gente entrega, a chance de você ter descartado um incidente que você acha que não é um incidente, porque você não tem a visão geral ou um contexto, é muito alta, né? da mesma forma como você também tem inúmeros falsos positivos ali, porque quando você traz isso para uma análise mais amplificada de de contexto, você descarta aquilo. Então assim, e quando a gente fala de futuro, é um capaz, um parceiro capaz de entregar essa visão convergente.

1:13:50 Gente, eu concordo plenamente com o que o Edu falou que o ser humano ainda tem que ser capaz, precisa ser capaz de analisar. A gente, por exemplo, usa IA no nosso processo de mitigação de detecção e resposta, mas muito mais numa esteira de enriquecimento de contexto, de poder de correlacionar isso em múltiplas camadas, do que de fato para tomar a decisão final. Então, a decisão final, ela vai estar amparada em playbooks, em em casos de uso que a gente construiu, né, em regra de negócio, olhando sempre para a continuidade do negócio. Então, qual que é a qual que é o negócio do TJ? Negócio do TJ é processo, é julgamento. Então esse processo não pode parar. Quais são os assets ou os ativos que estão envolvidos nesse processo? Então é o mesmo peso de um servidor que tá rodando lá as audiências virtuais? É o mesmo peso de um servidor que não tá rodando lá, um ambiente de homologação? Não.

1:14:44 Então, é, é ter essa visão contextualizada também de negócio pra gente proteger o caminho crítico do negócio do cliente, né, de vocês, para que a gente garanta não é o quando você vai atacar, né, quando será que eu será que eu vou ser atacado? Aí pra gente falava assim, ah, não é o se, não é o se, é o quando? Eu digo até que não é nem um se, nem um quando, mas o quando você for atacado, você tá preparado para o teu negócio não parar? Porque vai acontecer. Vai acontecer. Agora você tá pronto para reagir de forma rápida para que o teu negócio não seja impactado? Essa é a grande questão, tá? Então assim, pra gente encerrar, eu só comentar uma coisa é só que eu acho muito impertinente nisso, que eu falo, tava falando da quantidade de informações de logs que são geradas. Por isso que eu bato nessa tecla que o profissional tem que ter a capacidade de

1:15:34 filtrar esse tipo de informação também. A ferramenta ela gera, ela centraliza os logs, mas se você não tem uma capacidade de entender qual é que o que que é importante e o que não é importante, você acaba ingerindo informação desnecessária e levando-se e fazendo análise de informações que você perdeu poder. Firewall, pô, firewall é rei disso [?], gera log para caramba quando você vai olhar o que é pertinente de segurança. Então esse tipo de informação, esse filtro, esse dado mais filtrado que é importante, né? Então, para que você não perca muito tempo com essa essa grande massa de dados. Então, isso isso é extremamente importante ter essa capacidade de entender que que você precisa de informação. Isso isso é é uma deficiência, saber organizar, saber catalogar. Então, por isso que a gente fala, uma coisa é você ter o dado, uma coisa é você ter uma informação, né? Então assim, e esse dado se tornar uma informação útil para que

1:16:22 você tome uma decisão. Então isso eu bato nessa tecla, até que as ferramentas hoje, a gente tem ferramentas fantásticas de segurança, mas esse refinamento, esse e e esse profissional que manipula essa informação, ela é tão importante quanto a ferramenta, quanto... Perfeito. Perfeito. E aí para para encerrar aqui é uma provocação aqui até engraçada. Que que ameaça mais o o judiciário nos próximos 5 anos? Ransomware, deepfake, manipulação de IA, perda de confiança institucional ou, acrescentei aqui agora, o usuário bem-intencionado. Que que vocês acham aí? Eu acho que dá dá para compilar, né? Eu acho eu acho que a perda da confiança eu acho que é o principal fruto de todos os outros. Exatamente. Que você citou, né? É o impacto de tudo. É o impacto. É o impacto de claro que confiança é importante para qualquer segmento, para qualquer empresa, mas no

1:17:16 judiciário é sine qua non. Sine qua non é perder a confiança. Gostei, gostei do, do juridiquês [?]. Né, o judiciário perdeu a confiança, literalmente perdeu tudo. Então, mas eu acho que essa perda de confiança é fruto desse monte de problema que a gente pode ter, com o usuário mal-intencionado. E aí entra a capacitação, entra em como preparar, né, como deixar esse usuário bem-intencionado, adequado tecnicamente pro ambiente. Mas eu acho que o principal é consciente, né? Consciente. Exato. É a perda de confiança, mas dá para encapsular com todo o resto que você falou. É, o ransomware é um ataque devastador, né? Então assim, tem empresas que nem conseguem voltar depois de um ataque de ransomware, né? Então assim, então o ransomware ele é um, eu acho que do

1:18:07 mundo cibernético, eu acho que acho que não tem ataque tão devastador como esse. Terra arrasada mesmo. Quem sofre um ataque de ransomware, a sensação é de terra arrasada. Então assim, então é um ataque bem complexo, bem então assim e e bem digamos bem executado. Então eu acho que é uma preocupação pertinente, o ransomware, algo que que as organizações que tem bastante preocupação. A gente tem normalmente, você sabe que eu eu, só para fechar aqui, você sabe que eu chamo o WannaCry, né? A gente foi vítima do WannaCry lá em 2018, 17, salvo engano. A gente foi vítima do WannaCry e eu chamo ele de meu parça, né? É, apesar da brincadeira, é porque ele ele abriu os olhos da da alta gestão, ele impulsionou, até então a gente tinha assim, ah, de segurança OK, era um risco meio longe, sabe? Abstrato,

1:19:01 abstrato, né? assim, ah, um monte de cara que enche o saco e não deixa eu acessar a internet, você não consegue tangibilizar, né, o risco. Exato. Por isso que eu brinco que o WannaCry é meu brother, porque a partir daí a coisa tangibilizou, a coisa virou real e a alta cúpula começou [?]: opa, pera aí, não é um monte de cara chato não, o problema é grave, como você falou, não dá simplesmente pra gente e empurrar com a barriga, ignorar. Exato. Eu concordo com você que é, infelizmente, eu acho que até é cultural isso que as pessoas começam a se preocupar quando acontece algo terrível, né? Digamos, isso é na saúde, então meio que inconsciente, culturalmente isso tá intrínseco na sociedade. Mas eu entendo assim que, como ele falou, depois de um ataque, a gente sofreu um ataque também no passado e depois desse ataque eu pude constatar dentro do do... a maturidade [?]

1:19:54 forçada, né? Então o pessoal começou olhar para área de segurança, investimentos na área de segurança de uma forma diferente que havia no passado, porque a área de tecnologia, área de segurança especificamente, ela custa caro, né? Você proteger seu seu patrimônio custa caro. Então não é uma algo que você vai ter pouco gasto. Então assim, então então tem que ser bem justificado e tem que ser certeiro, né? Porque não adianta você investir também e depois você perceber que você investiu e não tá protegido. O famoso seguro do carro, quando quebra você descobre que não tinha um reboque mais de 50 km. Então e isso isso isso é bastante pertinente, mas eu eu concordo com que depois de uma de ataques, eu acho que a administração, o judiciário também como um todo, que sofre, teve alguns anos atrás teve uma série de ataques. Então eu converso com

1:20:43 outros colegas também, eu vejo que essa maturidade ela ela foi meio que forçada. Então assim, realmente quando acontece algo ruim, as pessoas precisa acontecer algo ruim para que tenha essa conscientização de que fazer investimentos, seja em tecnologia, em pessoas, são essenciais para que você mantenha seu negócio. É, é uma pena que a gente tivesse que, né, passar por isso, mas é a realidade, infelizmente. É uma dica aí, pessoal, para vocês aí, conselheiros, board de companhias, não precisa, não precisa acontecer com você, não, tá? É só olhar pro lado. Olha para uma empresa parecida que aconteceu, já acredita que pode ser contigo, tá? Não queira passar por um para um ataque, por um incidente. É, é traumático, é complicado. Alavanca assim, investimentos, mas não faz bem para

1:21:29 ninguém, tá? Só para deixar isso claro. Edivaldo, hoje é o seu parça, mas te tirou muito muita noite de sono, não? Tirou, tirou muita. É claro que hoje eu brinco que é meu brother, né? Coraçãozinho, WannaCry [?], porque a área ganhou uma relevância a partir dele. É, mas é traumático de qualquer forma, como o falou, né? Dependendo do ataque não volta não. E aí o o o dependendo da empresa, do segmento, né, o quanto isso fere a reputação da da instituição, é algo que é intangível, né, e tal, às vezes até de forma não recuperável. Só acrescentar nessa parte do do ransomware que eu acho interessante porque o ransomware ele tenta ganhar de duas formas, né? No sequestro dos dados e também na disponibilização dos dados na... Exatamente. Então se você não paga o que eles pedem, eles também falam: "Não, se você não pagar, eu vou disponibilizar os seus

1:22:18 dados. Então eu vou vender pro mercado." Não disponibiliza, disponibilizar. É verdade, porque e é isso é devastador também, né? Porque com a legislação da da GDPR, LGPD, então você pode, você não vai pagar para mim, você vai pagar uma multa, entende? Você vai pagar para alguém. Então esse é um ataque devastador nesses dois sentidos, porque você tem esse lado aqui, você tem seus dados criptografados e seus dados, digamos assim, na mão de de pessoas não éticas, né, que você não tá negociando com uma pessoa, né, então eles eles sequestram seus dados e cobram um resgate. Então você não tá negociando com gente do bem, digamos, você tá negociando com pessoas que sem escrúpulos, né, que atacam organizações de de várias áreas. Eu acho, tipo organizações da saúde, né? Então, por exemplo, roubar dados de hospitais,

1:23:05 então você tá falando com pessoas que não têm nenhum nenhum critério ético para você. Então, exatamente por isso que eu bati nessa tecla do ransomware, que realmente ele é um é uma preocupação, talvez em termos de estrago seja o maior ou parecido com o usuário bem-intencionado também. Tá cheio aí de problemas nesse sentido. Pessoal, muito obrigado pela disponibilidade de vocês aqui da gente tá batendo esse papo. Acho que faltava a gente entregar pro nosso público essa visão desbravadora que o o judiciário brasileiro adotou, né, essa essa postura mesmo de ser ali disruptivo no sentido do uso de IA, de ser um grande uma grande referência. Para mim foi muito importante, muito interessante ter a visão de vocês aqui compartilhada. Tenho certeza que pro nosso público em casa também enxergar

1:23:58 um pouquinho, né? Às vezes a gente não tem noção da complexidade que é ou daquilo que já tem sido feito, né? E e enxergar isso com vocês aqui hoje foi muito bom. Muito obrigado mesmo. Eu acho que tem papo aqui para mais uns dois ou três podcasts fáceis. Vamos fazer esse convite para vocês, a gente bater um papo aí mais aprofundado, não só sobre o uso de IA, mas falando de segurança no num ambiente que é crítico de vocês, num ambiente onde de fato são dados que estão tão estão sendo transacionados ali, né? A gente não tá falando de nenhuma outra informação, de nenhum outro ativo crítico que não seja o dado. Então muito obrigado, tá, Edu, Edivaldo, pela disponibilidade de vocês. Lucas também está aqui comigo hoje no painel. Você de casa, refaço o convite para que siga a gente no LinkedIn, siga a gente no YouTube para que você não perca nenhum episódio do VortexCast. Eu tenho certeza que serão, assim como esse foi, incríveis e enriquecedores aí para todo mundo, tá bom pessoal? Um abraço para vocês e até a próxima.

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